Publicado por André Luiz Melo

Talvez você já deva ter se perguntado qual a maneira correta: nós ou a gente. Pois bem. A língua portuguesa tem seus pormenores e, cada caso, merece ser aprofundado e compreendido de forma correta. Assim, quanto a este assunto o qual escrevemos nesta publicação será necessário uma análise tanto gramatical quanto sociolinguística, esta última que se refere a ciência que pesquisa a relação entre a sociedade e a língua.

Tudo certo…

O emprego tanto do nós como do a gente está correto. Isso mesmo! E ambos estão em frequente evidência na pronúncia dos falantes da língua portuguesa. O nós, como o português define, trata-se de um pronome pessoal do caso reto que remete a ideia de grupo, conjunto, mais de uma pessoa.

A gente, por sua vez, corresponde a um substantivo o qual também pode exercer o papel de locução pronominal. Numa frase, ao ser empregado com essa finalidade, o mesmo adquire valor semântico semelhante ao do nós. Ou seja, ambas as expressões possuem valor idêntico e, por isso, são consideradas igualmente corretas. Observe os exemplos a seguir:

  • Nós estudamos ontem à tarde.
  • A gente estudou ontem à tarde.
A gente ou nós: ambos estão corretos?

Imagem: Reprodução/ internet

Sentido inalterado

A substituição do pronome pessoal do caso reto (nós) pela locução pronominal (a gente) não promoveu e nem nunca promoverá confusão no sentido da oração. Apenas o que modifica é a conjugação do verbo.

De modo que o pronome nós deverá ser empregado com a conjugação do verbo na primeira pessoa do plural. Já quando houver o emprego da locução a gente o verbo terá que vir conjugado na terceira pessoa do singular, uma vez que é proporcional ao pronome pessoal ela.

Quebrando qualquer preconceito

Há alguns linguistas e gramáticos que abominam, desconsideram a utilização da locução a gente. Entretanto, considerável parcela dos falantes da língua portuguesa faz uso da mesma. De modo que, como é inviável o controle total da forma de se expressar, assim como os falantes são, de fato, os reais donos da língua, não se pode abolir, de modo autoritário, qualquer estilo de fala praticado pelos falantes. Assim a sociolinguística esclarece.

Assim, na oralidade a escolha quanto a utilização do nós ou do a gente é facultativa. Por outro lado, na escrita, é preferível o emprego do nós, uma vez que o mesmo é mais formal e está de acordo com a norma culta da língua portuguesa.

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