Publicado por Prof. Nathália Duque

Os artrópodes constituem o grupo animal com maior número de espécies conhecidas: de cada quatro espécies animais, três são artrópodes.

Fazem parte deste filo as borboletas, as moscas, as aranhas, os besouros, os caranguejos, os escorpiões, as centopeias e muitos outros animais.

O nome Arthropoda (arthros = articulação; podos = pé) se refere a uma característica marcante dos animais agrupados nesse filo: presença de pernas articuladas. Entretanto, os artrópodes não têm apenas as pernas articuladas, mas também outros apêndices, como antenas e peças bucais.

Os artrópodes são animais com ampla distribuição geográfica, sendo encontrados nos ambientes terrestres, aquático e aéreos.

Características dos artrópodes

Como vimos, os artrópodes apresentam pernas articuladas e apêndices como antena, mandíbula e quelícera (adaptada à captura de alimento). São animais triblásticos (três tipos de tecidos), celomados, com simetria bilateral.

Normalmente apresentam o corpo dividido em três regiões: cabeça, tórax e abdômen. São então animais invertebrados, mas que possuem algumas partes articuladas do corpo, como as patas e pernas. São animais que possuem exoesqueleto.

Exoesqueleto

Outra característica marcante do grupo, e grande responsável pelo sucesso ecológico desses animais, é a presença de um exoesqueleto quitinoso, que reveste todo o corpo dos artrópodes.

Esse exoesqueleto é formado por placas que se articulam, permitindo os movimentos do corpo e de seus apêndices.

Os artrópodes são animais que, ao invés de possuírem um esqueleto interno, ou seja, dentro do corpo, eles possuem um esqueleto externo (fora do corpo) chamado exoesqueleto.

Quitina

O esqueleto externo ou exoesqueleto dos artrópodes é formato por um carboidrato chamado quitina, e por isso é muito duro e resistente, funcionando como uma armadura, que protege o animal dos perigos do ambiente.

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Cera

Os artrópodes terrestres ainda possuem um tipo de cera envolvendo o exoesqueleto, que possui uma característica impermeável, ou seja, evita a perda d’ água do corpo do animal por transpiração, minimizando assim a desidratação dos artrópodes.

Esse fato permitiu a esses animais ocuparem com sucesso o ambiente terrestre, mesmo em regiões áridas e desérticas.

Crescimento

Diferentemente dos nossos ossos, que crescem conosco ao longo dos anos, o exoesqueleto dos artrópodes não cresce. Chega então um tempo em que o animal precisa crescer, mas não cabe mais dentro de seu esqueleto, por isso que acontece a muda ou ecdise. O processo da muda é regulado pelo hormônio da muda ou ecdisona.

Muda é quando os artrópodes retiram-se do exoesqueleto para poder crescer, e em pouco tempo um novo esqueleto é formado ao redor de seu corpo. Esse novo exoesqueleto é mais flexível, permitindo que o animal cresça por algumas horas apenas, que é o tempo de endurecer por completo e o crescimento parar.

Depois de alguns meses esse novo esqueleto será descartado, quando o animal iniciar o processo de muda novamente. Ele pode sofrer várias mudas durante todo o seu tempo de vida. O nome que se dá ao exoesqueleto antigo que foi descartado é exúvia.

Quais animais são artrópodes?

Definitivamente, os artrópodes mais conhecidos são os insetos, como as formigas e cigarras. Porém, a família dos aracnídeos (aranhas, escorpiões, etc.) também pertence ao filo dos artrópodes. Também os crustáceos, como caranguejos e camarões.

Além destes que foram citados acima, também são artrópodes os quilópodes e diplópodes. Quilópodes são animais que possuem o corpo dividido em anéis, e um par de patas a cada anel, como as lacraias e centopeias.

Já os diplópodes também possuem o corpo dividido em anéis, porém em cada anel eles possuem dois pares de patas. Como exemplo de diplópode tem o piolho-de-cobra e o embuá.

Classificação

Comumente, os artrópodes são organizados em cinco classes: arachnida, crustacea, insecta, diplopoda e chilopoda.

Classe Arachnida

Aranha

A aranha é um artrópode da Classe Arachnida (Foto: depositphotos)

O grupo dos aracnídeos abrange principalmente aranhas, escorpiões e ácaros , incluindo os carrapatos. O corpo dos aracnídeos é geralmente dividido em prossomo e opistossomo.

Os aracnídeos apresentam as quelíceras como estruturas envolvidas com a manipulação do alimento e, em muitas aranhas, com a inoculação de veneno.

Outra característica importante dos aracnídeos é a presença de quatro pares de pernas no prossomo. Na região posterior e ventral do opistossomo das aranhas existem as fiandeiras, estruturas associadas a glândulas de seda, que produzem os fios de seda com os quais as aranhas tecem as teias.

Os aracnídeos são animais de sexo separados, fecundação interna e desenvolvimento direto. São principalmente terrestres.

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Classe Crustacea

Caranguejo

O caranguejo é um artrópode da Classe Crustacea (Foto: depositphotos)

Muitas espécies desse grupo apresentam um exoesqueleto enriquecido com carbonato de cálcio, formando uma crosta, daí o nome crustáceo.

É o que ocorre em lagostas, camarões, siris e caranguejos, os representantes mais comuns do grupo. Entretanto, a característica mais marcante dos crustáceos é a presença de dois pares de antenas na região cefálica.

A diversidade de formas do grupo é muito grande. Existem indivíduos macroscópicos, como a lagosta, o camarão e a craca, e representantes microscópicos, como a dáfnia (pulga-d’água) e os copépodes. Entre os crustáceos, há representantes aquáticos e terrestres úmidos (tatuzinho-de-quintal ou tatu-bola).

A maioria dos crustáceos é de sexos separados, embora existam espécies hermafroditas, como é o caso das cracas. Mesmo nas hermafroditas, a fecundação é cruzada, envolvendo copulação.

O desenvolvimento é indireto, podendo existir mais de um tipo de larva no mesmo ciclo de vida, mas há espécies em que o desenvolvimento é direto, como o lasgostim e o tatu-bola.

Classe Insecta

Abelha

A abelha é um artrópode da Classe Insecta (Foto: depositphotos)

Os insetos reúnem o maior número de espécies animais conhecidas. Assim, é o grupo mais diversificado entre os artrópodes e, consequentemente, entre todos os animais.

A maioria dos insetos é terrestre, embora algumas espécies tenham se adaptado secundariamente à vida no ambiente de água doce e, mais raramente, na superfície dos oceanos e zonas entremarés.

Os insetos têm o corpo nitidamente dividido em cabeça, tórax e abdômen. O grande sucesso desse grupo no meio terrestre pode ser atribuído principalmente a seu exoesqueleto quitinoso e à evolução do voo, características que permitiram aos insetos deslocamento eficiente e rápido, fuga de predadores e busca de novas fontes de alimento ou de locais com condições mais adequadas à sua sobrevivência.

Os insetos são os únicos invertebrados com adaptações ao voo. Eles desempenham importante papel ecológico nos ecossistemas terrestres, onde são responsáveis pela polinização da maioria das plantas com flores.

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Os insetos têm sexos separados e sua fecundação é interna. São animais ovíparos, que podem apresentar três tipos de desenvolvimento: direto sem metamorfose; indireto com metamorfose completa ou indireto com metamorfose incompleta.

Classes Diplopoda e Chilopoda

Lacraia

A lacraia é um artrópode da Classe Diplopoda (Foto: depositphotos)

Esses animais possuem muitas pernas articuladas e são chamados de miriápodes. São animais com sexos separados, fecundação interna e desenvolvimento direto ou indireto, dependendo da espécie.

Possuem o corpo dividido em cabeça e tronco multissegmentado, apresentando um par de antenas e olhos simples.

Nos quilópodes há um par de pernas por segmento, sendo o primeiro par transformado em estruturas chamadas forcípulas, na extremidade das quais se abrem glândulas de veneno. Esses animais são carnívoros predadores e se utilizam do veneno para imobilizar suas presas. São conhecidos como lacraias e centopeias.

Os diplópodes são animais herbívoros ou detritívoros e não apresentam forcípulas. Possuem dois pares de pernas por segmento. São conhecidos como milípedes, piolhos-de-cobra, gongolos ou embuás.

Importância dos artrópodes

O grupo sempre teve uma enorme importância para o homem. Muitas espécies parasitam animais domésticos, vegetais cultivados, ou ainda são transmissores de parasitas ao ser humano.

Por outro lado, alguns são de grande interesse alimentar, como camarões e lagostas. Nos mares, os micro crustáceos representam a maior biomassa de consumidores de primeira ordem, isto é, nutrem-se de algas microscópicas, porém, servem de alimento a pequenos peixes. São então, um importantíssimo elo das cadeias alimentares marinhas.

*Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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