Publicado por Prof. Nathália Duque

O filo Cnidária (cnidários), antigamente chamado de Coelenterata (celenterados), é representado pelas hidras, medusas, anêmonas-do-mar, que são seres que vivem isolados, e pelas caravelas e corais, que são organismos coloniais, ou seja, vivem agrupados. A maioria é encontrada em ambientes marinhos.

Os cnidários são os primeiros animais a apresentarem tecidos completamente diferenciados. Alguns são fixos, como as anêmonas e os corais e outros são livres e natantes, como a medusa. Os integrantes deste filo são todos predadores, alimentando-se de crustáceos, peixes, larvas de insetos, etc.

Formas dos Cnidários

Os Cnidários podem ser de duas formas: pólipos ou medusas.

Anêmonas do mar

A anêmona do mar é um exemplo de Cnidário (Foto: depositphotos)

Pólipos

Os pólipos vivem fixos a rochas ou substratos e apresentam pouco movimento (anêmonas-do-mar e corais). Apresenta esqueleto externo feito de calcário que dá forma e sustentação ao corpo do animal.

O corpo dos pólipos apresenta duas extremidades: uma é fechada e fixa ao substrato e a outra contém a boca, geralmente circundada por um emaranhado de tentáculos.

Medusa

As medusas nadam livremente, têm uma forma parecida com um guarda-chuva (águas-vivas). Elas possuem tentáculos ao redor na boca e nas bordas do corpo. A boca localiza-se na região central da superfície corporal.

O corpo das medusas é mole e não possui um esqueleto de sustentação, ou seja, são móveis, de corpo gelatinoso.

Tanto nos pólipos quanto nas medusas, os tentáculos que ficam na região da boca servem para capturar alimento e atuar na defesa do animal.

Veja também: Conheça a água viva, um animal marinho peculiar

O cnidoblasto ou cnidócito

Esses animais são conhecidos por causarem queimaduras e irritações na pele, isso se dá devido a presença de células modificadas chamadas de cnidoblasto ou cnidócito. Essas células especializadas aparecem em maior quantidade nos tentáculos dos cnidários.

O cnidoblasto ou cnidócito é uma estrutura responsável pela defesa contra os predadores desse filo e também para que possam conseguir alimentos mais facilmente.

É encontrado ao redor da boca e nos tentáculos desses animais. O cnidoblasto possui um líquido tóxico que é capaz de paralisar e matar animais que servem de alimentos para eles, tais como os peixes, crustáceos e vermes.

Quando o cnidário é tocado, o cnidoblasto ou cnidócito dispara a cnida (cnide = urtiga), cujo tipo mais comum é o nematocisto. Essa estrutura intracelular contém um longo filamento, geralmente penetrante, através do qual o líquido urticante presente na cnida é eliminado.

Esse líquido paralisa a presa. Nos seres humanos, pode causar sérias queimaduras na pele e no caso de animais menores, a morte.

Digestão

Esses animais possuem boca, mas não ânus. Então o alimento é parcialmente digerido na cavidade gastrovascular e a digestão é completada pelas células que revestem a cavidade. O que não se pode ser aproveitado é eliminado pela boca e a sua excreção e a respiração acontecem através de difusão, através de toda superfície do corpo.

Locomoção

Enquanto a maioria dos cnidários vivem de modo fixo, alguns podem se deslocar. Nas medusas, a locomoção é mais ativa, sendo realizada por um mecanismo chamado de jatopropulsão.

As bordas do corpo do animal se contraem e a água acumulada na região da boca (oral) é eliminada em forma de jato, provocando o deslocamento do animal no sentido oposto.

Classificação dos cnidários

As principais classes dos cnidários são: hydrozoa, onde estão as hidras e caravelas; scyphozoa, as águas-vivas; anthozoa, anêmonas e corais; e cubozoa, como as vespas do pacífico.

Classe Anthozoa

A classe Anthozoa (antazoários) apresenta apenas indivíduos na forma de pólipos. Existem espécies solitárias, como as anêmonas-do-mar e as espécies coloniais, como o coral-cérebro.

Classe Hydrozoa

Os hidrozoários são os únicos cnidários com representantes marinhos e de água doce. São exemplos de hidrozoários as hidras, as pequenas medusas dos gêneros Olindias e Liriope, e colônias como as caravelas (flutuantes) e os corais-de-fogo (fixos/sésseis).

As caravelas são colônias que apresentam indivíduos com formas e funções diferentes. O indivíduo flutuador é uma bolsa cheia de gás, que possibilita que a colônia se desloque pela ação das ondas e do vento.

Ligados a esse indivíduo, existem vários outros diferentes, adaptados a outras funções: alimentação, defesa e reprodução. Os cnidócitos desses animais podem causar sérias queimaduras na pele das pessoas.

Veja também: Acidentes com águas-vivas

Classe Scyphozoa

Na classe Scyphozoa (cifozoários), ao contrário do que ocorre entre os hidrozoários, a medusa é a forma predominante do ciclo de vida e geralmente é grande. O pólipo dos cifozoários é muito reduzido e em alguns poucos casos, ausentes.

Classe Cubozoa

A classe Cubozoa (cubomedusas) agrupa as medusas com umbrela de aspecto cúbico. No clico de vida, a larva dá origem à fase de pólipo, que sofre metamorfose completa e se transforma em medusa.

Esses cnidários ocorrem principalmente em mares tropicais e subtropicais, especialmente nos oceanos Índico e Pacífico.

Entre eles estão representantes que causam graves acidentes em seres humanos, provocando sérias queimaduras na pele. É o caso da cubomedusa Chironex fleckeri, popularmente chamada de vespa-do-mar, que ocorre no litoral australiano e pode causar a morte de uma pessoa.

No litoral brasileiro, duas espécies de cubomedusas podem causar acidentes, mas em geral não tão graves quanto os causados pela espécie australiana. As espécies brasileiras são a Tamoya haplonema e a Chiropsalmus quadrumanus.

Reprodução

Existem duas formas de reprodução dos cnidários, a primeira é a assexuada, por brotamento e estrobilação e a segunda forma é a sexuada, onde pode haver alternância de gerações.

Sexuada: nesse tipo de reprodução há presença de gônadas, onde são produzidas as células sexuais. Existem duas espécies, a monoicas e as dioicas. Nesse tipo de reprodução pode haver alternância de gerações envolvendo pólipos e medusas

Assexuada: A reprodução assexuada é feita através de brotamento. Os brotos laterais, quando em fase de crescimento estão ligados à hidra-mãe e se destacam dela durante essa fase. Nesse processo de multiplicação não ocorre variabilidade genética, sendo propício de acontecer em ambientes estáveis e em épocas favoráveis do ano, quando as hidras estão bem alimentadas.

Referências

AMARAL, F. D. et al. Biodiversidade de cnidários bentônicos. VASKE JÚNIOR, T., LESSA, RP, NÓBREGA, MF, AMARAL, FMD, SILVEIRA, SRM Arquipélago de São Pedro e São Paulo: histórico e recursos naturais. Olinda, Ed. Livrorápido, p. 42-55, 2006.

PASTORINO, Guido. New record of the cubomedusa Tamoya haplonema Müller, 1859 (Cnidaria: Scyphozoa) in the south Atlantic. Bulletin of Marine Science, v. 68, n. 2, p. 357-360, 2001.

Veja mais!