Publicado por Débora Silva

No contexto da tradição cristã católica, um concílio (reunião, convenção) é a reunião de bispos, cardeais e demais clérigos para decidir temas relativos aos dogmas cristãos e à conduta da vida cristã.

O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, foi o 19º concílio ecumênico da Igreja Católica. Realizado na cidade de Trento, na Província autônoma de Trento, região do Tirol italiano, o Concílio de Trento foi convocado pelo Papa Paulo III para certificar a unidade da fé e a disciplina eclesiástica, como uma reação à divisão ocorrida na Europa devido à Reforma Protestante. Por este motivo, o Concílio de Trento também é chamado de Concílio da Contrarreforma.

Contexto histórico

A Igreja Católica passou por significativas mudanças devido ao surgimento e posterior expansão do Protestantismo. A reação, chamada de Contrarreforma, visava combater a expansão da Reforma Protestante com a participação dos papas Paulo III, Júlio III, Paulo IV, Pio V, Gregório XIII e Sisto V. Para alcançar o objetivo, várias medidas foram tomadas, como a reorganização de comunidades religiosas já existentes e a criação de outras.

Neste contexto histórico surge o Concílio de Trento, que objetivava estreitar a união da Igreja e reprimir os abusos. Foi o concílio ecumênico mais longo da história da Igreja Católica, tendo durado 18 anos, com a realização de 25 sessões plenárias em três períodos diferentes (1545 a 1547; 1551 a 1552; 1562 a 1563) e a emissão do maior número de decretos dogmáticos e reformas.

Concílio de Trento

Foto: Reprodução

Objetivos do Concílio de Trento

Com início no ano de 1545 e para opor-se ao protestantismo, o Concílio de Trento tinha o objetivo de reafirmar os dogmas do catolicismo, e emitiu vários decretos disciplinares e relativos às doutrinas católico-romanas, como os sacramentos, a Trindade Divina, a justificação, a liturgia, o celibato clerical, o valor e a importância da missa, o culto dos santos, a santidade de Maria, dentre outros. No concílio foram criados seminários nas dioceses como centros de formação sacerdotal e, ao contrário dos concílios anteriores, foi estabelecida a supremacia do Papa.

O Concílio também procurou moralizar a conduta dos clérigos, principalmente em relação às práticas criticadas pelos reformistas.

Devido a uma série de períodos de guerras, o Concílio de Trento teve que ser interrompido mais de uma vez e foi celebrado em três períodos, com a conclusão em 1563, sob a liderança do Papa Paulo III.

  • 1º período – O primeiro período do Concílio de Trento compreende os anos de 1545 a 1548. Foram celebradas 10 sessões, nas quais foram promulgados os decretos sobre o pecado original, a justificação, os sete sacramentos em geral e diversos decretos de reforma disciplinar;
  • 2º período – Realizado entre os anos de 1551 e 1552, o segundo período do concílio foi composto por 6 sessões, com a continuação dos decretos de reforma e doutrinas sobre a eucaristia, penitência e a extrema-unção;
  • 3º período – Convocado pelo Papa Pio IV, o 3º período do Concílio de Trento compreende os anos de 1562 a 1563. Neste período foram realizadas 9 sessões, com a promulgação de importantes decretos doutrinais e decretos para a reforma da Igreja.

No Concílio de Trento também ocorreu a condenação de alguns livros que, segundo a crença, induziam os fiéis ao pecado e ao afastamento da Igreja Católica. Tais livros foram colocados na lista do “Índice de Livros Proibidos” (Index Librorum Proibitorum).

Quando houve a promulgação das decisões do Concílio de Trento, as ideias protestantes já tinham se espalhado pela Europa Ocidental e Setentrional. Os primeiros países a aceitarem os decretos do Concílio de Trento foram Portugal, Espanha, Polônia e os estados italianos. A França foi o último estado europeu a aceitar oficialmente as normas e dogmas do Concílio, pois era dividida pela luta entre católicos e protestantes.

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