Publicado por Prof. Luana Polon

A conurbação é um processo geográfico que é caracterizado pelo crescimento significativo de duas ou mais cidade próximas, causando assim a unificação da malha urbana, como se fosse uma única cidade.

Nessas áreas, geralmente, há uma grande dependência de uma cidade em relação a outra, sendo que, em muitos casos, as pessoas que moram nas cidades menores, por terem um custo mais baixo de vida, acabam trabalhando nas cidades maiores, o que faz com que as cidades menores fiquem com pouco fluxo de pessoas de dia.

Isso cria um sistema de dependência entre estas cidades, uma forma de hierarquia, que acontece também quanto a prestação de serviços (médicos, hospitais, lazer, estudos, etc.) e oferta de bens de consumo (grandes supermercados nas cidades maiores, mais opções de compra).

A conurbação está relacionada também com outro conceito, o de região metropolitana ou metrópole.

 

Metropolização e Conurbação

Metropolização e Conurbação são dois processos que estão relacionados às dinâmicas dos espaços urbanos, e que tem o poder de mudar a paisagem das cidades e intensificar laços de interdependência.

Metropolização é a concentração de dependência de várias cidades em relação a uma cidade mais importante no contexto regional. Ou seja, há uma cidade que por diversas razões obteve destaque regional em detrimento das demais, com isso, as cidades ao entorno criam um sentido de dependência quanto a esta cidade destaque.

Conurbação é um fenômeno físico que ocorre em algumas cidades, quando duas ou mais cidades acabam crescendo ao ponto de se encontraram espacialmente. Assim, pode acontece de duas cidades serem separadas apenas por uma rua ou um rio. Isso dificulta, inclusive, práticas de contagem de população, como no caso do censo demográfico.

As regiões metropolitanas

As regiões metropolitanas são conjuntos de municípios vizinhos que estão interligados no espaço geográfico, nas práticas sociais e na economia, constituindo a malha urbana.

Ao longo do desenvolvimento dos países, por variados fatores, algumas cidades acabam se destacando em relação às demais ao seu entorno. Geralmente elas possuem alguma característica importante, como a localização estratégica, a implantação de uma indústria que gera muitos empregos, ou algo do tipo.

Essa cidade que obtém um destaque regional diante das demais cidades atrai muitas pessoas e empreendimentos, como hospitais, faculdades, indústrias, comércio. Com isso, crescem em importância na sua região.

Com o tempo, as cidades ao entorno acabam gerando uma dependência em relação a esta cidade mais importante, pois é nesta que as pessoas encontram serviços mais especializados, maior oferta de bens de consumo, opções de lazer em maior variedade, etc. Cria-se, neste sentido, uma metrópole (cidade mais importante) e uma região metropolitana (a cidade mais importante somada ao contexto regional).

No caso do Brasil, é comum que as conurbações acabem dando origem às regiões metropolitanas, mas esse processo não é a única forma de se criar uma região metropolitana.

Veja nesta imagem um exemplo de região metropolitana em mapa. Neste caso é a Região Metropolitana de Curitiba, no estado do Paraná.

Cidades conurbadas

Um dos exemplos mais clássicos de conurbação no Brasil é a cidade de São Paulo, a qual foi se expandindo e desenvolvendo tanto que chegou a atingir mais de 38 municípios vizinhos, como Santo André, São Caetano, Guarulhos e se tornou uma malha urbana muito grande, formando assim a Grande São Paulo.

Esse processo já existia em outros países antes da Segunda Guerra Mundial, nas cidades de Londres, Nova Iorque, Paris e Tóquio, pois o desenvolvimento nesses locais já era bem avançado.

O processo de conurbação e a industrialização

No Brasil, as conurbações e regiões metropolitanas só tiveram início a partir da década de 1950, durante a industrialização. Com o início da industrialização, os centros urbanos brasileiros começaram a se expandir para que pudessem acompanhar o processo de modernização, o fluxo de pessoas que migrava para as cidades e o avanço industrial.

Com esse crescimento, as cidades passaram a estar mais próximas umas das outras fisicamente, e com isso, criaram um sistema de relações e dependência. Muitas pessoas acabam morando nas cidades menores e trabalhando na cidade de destaque dentro dessa conurbação, pelo fato de esta ofertar mais vagas de emprego.

Cornubação transfronteiriça

Há também um fenômeno de conurbação transfronteiriça, ou seja, de cidades de países diferentes, como se pode observar o caso da cidade de Santana do Livramento, que fica no Rio Grande Sul e Rivera, no norte do Uruguai.

O crescimento da cidade brasileira e da uruguaia acarretou no processo de conurbação, onde a área conurbada se chama “Fronteira da Paz”. E ainda, as três cidades que formam uma das tríplices fronteiras brasileiras, que une Foz do Iguaçu (BR), Ciudad del Este (PY) e Puerto Iguazú (AR).

Obelisco na fronteira da paz

Fronteira da Paz, entre Brasil e Uruguai (Foto: Reprodução | Wikimedia Commons)

Consequências

As conurbações apresentam também problemas em sua existência, isso porque o envolvimento de mais de uma cidade nesse processo pode acarretar em um conflito de entendimento entre as estruturas políticas, administrativas e de espaço edificado das cidades envolvidas.

Com o crescimento urbano, chega um momento em que já não há território físico disponível para novas edificações, o que leva a uma ampliação vertical, principalmente nas regiões centrais das cidades. Observa-se que as regiões centrais das cidades sempre possuem muito edifícios, pois nesses locais já não há como acontecer uma expansão horizontal.

Outros problemas relacionados ao crescimento das cidades são: marginalização das pessoas mais pobres nas cidades, as quais são deslocadas para áreas periféricas, onde muitas vezes não há a adequada infraestrutura urbana e prestação de serviços (água encanada, transporte urbano, etc.); poluição das mais diversas, como das águas, dos solos, do ar, sonora, visual, etc.

A poluição é comum em cidades grandes, especialmente nas quais o desenvolvimento industrial é expressivo; trânsito e inadequado sistema de transporte urbano; insuficiência de atendimento para as pessoas em áreas como saúde e educação, dentre outros.

Um dos mais expressivos problemas urbanos do Brasil é a segregação social, quando se formam áreas marginalizadas nas quais as pessoas mais pobres ocupam áreas sem a adequada estrutura urbana e oferta de serviços.

Cria-se uma paisagem dividida entre aqueles que ocupam os lugares privilegiados, e aqueles que são forçados a viver em condições precárias:

Vista aérea da rocinha no Rio de Janeiro

Nessa imagem vemos a desigualdade social na favela da Rocinha no Rio de Janeiro (Foto: depositphotos)

Referências

POLON, Luana. Estudo Prático. Metrópoles do Brasil. Disponível em: https://www.estudopratico.com.br/metropoles-do-brasil/ . Acesso em: 15 de fevereiro de 2019.

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