Publicado por Priscila Melo

Quando queremos utilizar a linguagem conotativa (sentido figurado), para chamar a atenção em textos usamos muito as figuras de linguagem. Estas tornam o texto mais expressivo, faz com que chame mais a atenção do leitor e são utilizadas para dar um sentido diferente do que normalmente conhecemos e estamos habituados a ver.

As figuras de palavras, também conhecidas como figuras de semântica são recursos estilísticos utilizados para conseguir um efeito mais expressivo na comunicação. São caracterizadas pela mudança do sentido denotativo (sentido real) para o conotativo (sentido figurado).

Figuras de palavras

Foto: Reprodução

Principais figuras de palavras

De acordo com a gramática normativa da Língua Portuguesa, as principais figuras de palavras são: comparação, metáfora, metonímia, catacrese e perífrase. Vamos conhecer cada uma delas.

Comparação – é quando comparamos duas coisas distintas mas que de alguma forma possuem algo em comum, essa comparação será feita através de elementos comparativos. Mas, por serem coisas realmente distintas não há a possibilidade de fazer essa comparação na linguagem denotativa. Veja o exemplo do uso conotativo da comparação:

“João é forte como um urso.”

Sabemos que João não é um urso e que pela lógica eles não podem ter nada em comum por se tratarem de seres diferentes, mas na linguagem conotativa essa comparação se torna possível. Seria possível dizer na linguagem denotativa que João é muito forte, mas essa informação não é tão expressiva quanto a anterior.

Metáfora – quando comparamos um elemento a outro sem utilizar o termo comparativo estamos falando da metáfora. Esta é utilizada para comparar elementos de forma implícita. Veja os exemplos:

“Carrego o mundo nos meus ombros.”

“Sua boca é um cadeado”

Em ambas as frases compreendemos o sentido e percebemos que há uma linguagem conotativa, sabemos que ninguém pode carregar o mundo nos ombros, não é mesmo? Mas que a pessoa que disse essa frase está sobrecarregada ou com responsabilidades muito grandes. Quando dizemos que “a boca é um cadeado” associamos de imediato a boca a algo fechado, que mantém o segredo. Quando isso ocorre chamamos de metáfora.

Catacrese – é um tipo de metáfora mais comum e de certa forma mais popularizada. Esse tipo de linguagem costuma ocorrer quando por falta de uma palavra específica para designar uma determinada coisa, acaba se utilizando uma palavra já existente, mas modificando um pouco seu sentido original. Veja os exemplos:

“Doure uma cabeça de cebola.”

“Ele limpou o braço da cadeira.”

“O pé da mesa estava quebrado.”

Metonímia – é quando uma palavra pode ser substituída por outra sem perder o sentido já que ambas possuem uma relação de lógica e continuidade, vejam os exemplos:

O Bombril acabou.”

“Tudo o que tenho foi com o suor do meu rosto.”

“Li Clarice Lispector ontem.”

A palavra Bombril está se referindo a lã de aço, “suor do meu rosto” ao trabalho, “Clarice Lispector” a uma obra da autora.

Perífrase – também conhecida como circunlóquio, acontece quando uma palavra é substituída por várias outras. Vejam os exemplos:

“A cidade maravilhosa é muito conhecida.”

“A Copa será no país do futebol.”

“Graças à onipotência de quem devemos a criação do universo.”

Na primeira frase “a cidade maravilhosa” se refere ao Rio de Janeiro, na segunda “país do futebol” se refere ao Brasil e na terceira a frase inteira significa a mesma coisa que dizer “Graças a Deus”.

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