Publicado por Prof. Nathália Duque

Os moluscos são animais invertebrados que podem ser encontrados encontrados no mar, na água doce e no ambiente terrestre. O nome molusco vem do latim mollis que quer dizer “mole”, ou seja, são animais que têm o corpo mole. Os moluscos mais conhecidos são: mexilhão, caramujos, lesmas, ostras, polvos e lulas.

Os moluscos são encontrados em abundância, chegando a aproximadamente 50.000 espécies vivas. Além disso, existem cerca de 35 mil espécies fósseis, pois esses animais registram uma longa história geológica e as conchas minerais desses indivíduos aumentam suas chances de preservação.

Mas, o que um caramujo, uma lula e um polvo tem em comum para serem considerados moluscos? Apesar das diferenças incríveis entre os mais diversos moluscos, esses animais são formados com base no mesmo plano fundamental, ou seja, possuem o mesmo “design” básico, mas cada um com suas adaptações.

Esses animais estão organizados em três grandes grupos: gastrópodes (caramujos e lesmas), cefalópodes (lula e polvo) e bivalves (mexilhão e ostras).

O que é um molusco?

O molusco é um animal de corpo mole que se move e se alimenta na superfície de um substrato duro. Seu corpo possui simetria bilateral, ou seja, se fizermos uma linha imaginária, esta dividirá o corpo de um animal em duas metades iguais.

Polvo comum descansando em um recife

O molusco é um animal de corpo mole com simetria bilateral (Foto: depositphotos)

Embora o corpo de todos os moluscos seja mole, surgiu uma concha sólida, que serve para abrigar e proteger o animal.

Após um tempo, alguns moluscos passaram a apresentar um concha interna reduzida, como as lulas, enquanto outros perderam totalmente a concha, como os polvos e certas lesmas.

Corpo do molusco

O corpo do molusco é dividido em três regiões: cabeça, pé e massa visceral. A parte de baixo do molusco, também chamada de superfície ventral, é achatada e muscular formando uma sola rastejante ou pé.

A parte de cima (superfície dorsal) é coberta por uma concha oval, em forma de escudo, que protege os órgãos internos da massa visceral. A concha do animal é produzida pelo manto, que é uma estrutura exclusiva do grupo e que corresponde à parede externa dorsal do corpo.

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Locomoção

O pé do molusco possui músculos que permitem que o animal puxe para baixo sua concha em forma de escudo contra o substrato sobre o qual ele vive. Cada músculo prende-se à superfície interna da concha e se fixa nas laterais do pé.

Os moluscos terrestres se locomovem lentamente, já os aquáticos como a lula e o polvo, se deslocam rapidamente devido à expulsão de água por uma abertura chamada de sifão.

Jatopropulsão

A lula e o polvo são moluscos cefalópodes. Nesses animais, o pé deu origem a outra estrutura, o funil ou sifão, por onde o animal elimina jatos de água usados em sua locomoção por jato propulsão.

O deslocamento por jatopropulsão é o principal meio de locomoção das lulas. Já os polvos utilizam apenas em certas ocasiões, como para fugir de um predador, uma vez que vivem sobre o fundo do mar, deslocando-se com auxílio dos tentáculos.

Os cefalópodes produzem uma tinta escura que fica armazenada em uma bolsa localizada na massa visceral. Em situações de perigo, essa tinta pode ser lançada para fora por meio do funil, com o jato de água, formando uma nuvem que confunde o perseguidor.

Reprodução

Os moluscos podem ser de sexos separados ou hermafroditas, com fecundação interna ou externa. Muitas espécies apresentam desenvolvimento indireto, com formação de larvas, como as trocóforas. Ou desenvolvimento direto, no qual os indivíduos jovens saem dos ovos bem parecidos com os adultos.

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Respiração

Os moluscos surgiram no ambiente aquático, logo, esses indivíduos possuem brânquias que realizam as trocas gasosas.

Alguns moluscos conquistaram o ambiente terrestre e uma das adaptações foi o surgimento dos pulmões, estrutura relacionada com a respiração aérea. Existem alguns que respiram por pulmões e que vivem no meio aquático, porém, precisam vir até a superfície para respirar.

Lesma rastejando em grama

Com o passar do tempo, a lesma perdeu os pulmões e a respiração é feita pela superfície do corpo (Foto: depositphotos)

Durante o processo evolutivo, algumas espécies, como é o caso das lesmas, perderam os pulmões e as trocas ficam restritas à superfície do corpo. Todos os moluscos terrestres possuem preferência por ambientes úmidos, pois eles não apresentam estruturas eficientes que evitem a perda de água do corpo.

Alimentação

O tipo de alimentação varia de acordo com o grupo que o molusco pertence. Os gastrópodes possuem uma grande variedade de hábitos alimentares, podem ser herbívoros, carnívoros ou detritívoros (quando se alimentam de restos de matéria orgânica animal ou vegetal).

Os cefalópodes se alimentam de invertebrados, crustáceos e peixes. Os bivalves são em sua maioria, filtradores.

Importância Ecológica

De todos os grupos de moluscos, os bivalves possuem grande importância ecológica. Além do papel que exercem nas cadeias alimentares, eles podem atuar como bioindicadores da qualidade da água. Isso porque são animais filtradores e capazes de concentrar toxinas e poluentes presentes nela.

Como muito bivalves são apreciados na alimentação humana, é fundamental saber de onde foram coletados, pois podem estar contaminados.

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Produção de pérolas

Se pensarmos no lado econômico, os moluscos bivalves também são muito importantes. Além da utilização na alimentação humana, certos bivalves produzem pérolas de valor comercial: são as chamadas ostras perlíferas.

Esses animais vivem fixos ao substrato e possuem a camada interna da concha formada por um nácar ou madrepérola brilhante, espesso e muito resistente ao desgaste. Esse nácar pode ser empregado como matéria-prima para a fabricação de botões e adornos.

As pérolas naturais começam a se formar quando grãos de areia ou vermes penetram acidentalmente entre o manto e a concha desses animais.

Como mecanismo de defesa, o bivalve cobre o elemento estranho com várias camadas de nácar secretadas pelo manto, procurando isolar o intruso. A formação da pérola é portanto, um mecanismo natural de defesa desses animais contra a penetração de elementos estranhos em seu corpo.

Na maioria das vezes, as pérolas naturais se formam incrustadas na camada de nácar da concha. Raramente a pérola fica embutida nos tecidos do animal.

As pérolas cultivadas são produzidas segundo o mesmo princípio. Porém, o acaso é substituído pela intervenção humana: remove-se um fragmento do manto de uma ostra perlífera jovem e com ele, envolve-se uma pequena esfera de nácar denominada núcleo.

Esse pequeno “pacote” é inserido entre o manto e a concha de ostras perlíferas, iniciando o processo de recobrimento do núcleo com camadas de nácar. A forma da pérola dependerá da forma do núcleo inicial.

*Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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