Publicado por Débora Silva

A civilização europeia atual resulta de uma mistura de culturas que começou a ser construída a partir da crise e queda do Império Romano do Ocidente e da ascensão dos Reinos Bárbaros, marcando a passagem da Idade Antiga para a Medieval.

Os povos germânicos dividiam-se em numerosas tribos e habitavam a região da Germânia, uma região da Europa localizada entre os rios Reno, Vístula e Danúbio e os mares Báltico e do Norte.

Origem dos povos germânicos

Os registros mais antigos dos povos germânicos remetem a duas obras históricas principais: A guerra das Gálias (de 52 a.C.), escrita pelo general da República romana Júlio César, e Germânia (de 98 d.C.), obra escrita por Públio Cornélio Tácito, político e historiador da época do Império Romano.

Com relação às origens étnicas dos povos germânicos, algumas evidências coletadas por arqueólogos e linguistas fazem crer que, entre 1000 a.C e 500 a.C, existia um povo (ou um conjunto de povos) que habitava a área que vai do sul da Escandinávia até o norte da Alemanha.

Os povos germânicos eram chamados de “bárbaros” pelos povos romanos. A palavra “bárbaro” vem do grego bárbaroi e significa “estrangeiro”, fazendo referência a alguém que não se comunica por meio da língua grega e não compartilha a mesma cultura.

Os denominados “povos bárbaros” eram formados por uma grande diversidade de povos com os mais diferentes costumes. Quando invadiram os territórios romanos, estes povos não apenas transformaram, mas também criaram novas instituições políticas, econômicas e culturais.

A ocupação dos territórios romanos pelos povos germânicos ocorreu de dois principais modos: por meio de invasões e pilhagens e por meio de acordos e alianças militares com o poder imperial romano. A relação mútua entre os romanos e os germânicos seria uma das bases para o posterior sistema feudal da Idade Média.

Povos germânicos

Foto: Reprodução

A vida dos povos

Na economia, os povos germânicos adotavam as trocas naturais e o uso coletivo da terra, características que enfraqueceram as relações comerciais desenvolvidas durante o Império Romano. Neste contexto, as atividades agrícolas, a caça e a pesca ganhavam maior destaque.

A organização social dos germânicos era patriarcal, com o homem ocupando o posto de chefe familiar, sendo o responsável pelas decisões importantes relacionadas com a casa, conflitos e terras. A partir das famílias existiam os clãs, que eram formados pela reunião de diversas famílias que possuíam ascendentes comuns. Após os clãs, existiam ainda as tribos, constituídas por um agrupamento de inúmeros clãs.

Os aspectos culturais e político-econômicos dos germânicos apontavam um povo que vivia em pequenas povoações independentes, com uma economia baseada na pecuária e na agricultura de subsistência.

Quanto à religião, os povos germânicos adoravam vários deuses e alguns elementos da natureza. Os principais deuses cultuados eram Wothan (senhor do comércio, da guerra, dos mortos e das tempestades), Thor (protetor dos camponeses e que lançavam raios) e Tiwaz (comandava o céu e liderava as assembleias). O pensamento religioso dos povos germânicos também pregava a fé em um paraíso além-vida denominado Valhalla, que abrigaria os grandes guerreiros que viveriam prazerosamente ao lado das valquírias, jovens guerreiras virgens.

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