Publicado por André Luiz Melo

É muito comum na língua portuguesa que determinadas palavras apresentem uma mesma origem semântica. De tal modo que algumas dessas denominações podem expressar, a depender do seu emprego, mais de um significado.

Um caso que exemplifica de forma bem coerente esse assunto é trio formado pelas palavras cidadania, cidadãos e cidades, uma vez que, semanticamente, todas têm origem igual.

Perceba, por exemplo, que “cidadãos” pode tanto expressar o grupo de habitantes de uma determinada cidade como os indivíduos dotados de direitos políticos, sociais e civis.

Cidadania, cidadãos e cidades: compreenda os conceitos

Imagem: Reprodução

Acesso aos direitos

Constitui um cidadão toda pessoa a qual tem acesso ao direito à cidadania e desfruta de uma vida plena, a partir dos direitos civis. Liberdade, igualdade e propriedade constituem direitos que devem estar acessíveis a todos os cidadãos. Garantido por lei, esse conjunto de direitos compõe a sociedade civil.

Assim como os direitos civis, os direitos políticos de um cidadão também estão registrados como garantia perante a legislação. Os mesmos são representados a partir da cooperação cidadã no governo que está à frente da sociedade, por meio de atos políticos, debates dos problemas governamentais, do ato de votar e ser votado e ainda da composição de siglas partidárias.

Por sua vez, os direitos sociais têm o papel de confirmar a plena atividade do cidadão e do direito à cidadania. Nesse grupo é garantido a todos os indivíduos o direito ao trabalho, à remuneração salarial, à educação, à moradia e à saúde.

Tudo isso tem como base a justiça social, esta que também tem como finalidade estabelecer os deveres, perante a legislação, a serem seguidos por cada cidadão, perante a sociedade.

O início de tudo

A representação de cidadão e do direito à cidadania têm origem na antiguidade, durante o período em que cidade era sinônimo de unidade comunitária. Por isso a derivação da palavra “cidadania” de “cidade”.

Desde os primórdios que inúmeras pessoas tiveram o direito à cidadania ceifado. Ou seja, eram “cidadãos” desprovidos de cidadania. Esses não tinham acesso aos direitos sociais, civis e políticos. A escravidão, por exemplo, sempre foi considerado o maior exemplo já conhecido de censura à liberdade dos indivíduos escravizados.

Já a liberdade dos camponeses, a partir das relações de servidão no período da Idade Média, tirou desses indivíduos o direito a ter uma propriedade. Eis que até os dias atuais, considerável parcela dos trabalhadores rurais não possui a posse de qualquer área territorial, são os chamados “sem-terra”. E é a partir de exemplos como esse que se percebe que o direito à cidadania ainda não é pleno a todos os cidadãos.

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