Publicado por Katharyne Bezerra

Será que é possível sobreviver ao ataque de tubarão? Por exemplo, imagine que alguém está no mar e leva uma mordida desse animal. O que o banhista geralmente faz ao passar por uma situação dessa? Ou melhor, o que deve ser feito diante de um incidente envolvendo o predador das águas salgadas?

Desde 1992 o Brasil tem sido destaque quando o assunto é ataque de tubarão. E Recife, mais especificamente em Boa Viagem, é o principal foco desses predadores marinhos. Ao todo foram mais 60 incidentes envolvendo banhistas e surfistas no litoral pernambucano, de acordo com informações do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT).

Assim, diante de um número tão expressivo, fica a dúvida: É possível sobreviver ao ataque de um tubarão? Se você faz parte de um grupo que anda preocupado com essa situação, fique atento a esse artigo e descubra um pouco mais sobre como escapar desse animal.

Além disso, confira também outras informações como por exemplo os tipos de tubarão que existem e os ataques que já ocorreram no Brasil. Aqui você ainda fica por dentro das possíveis explicações a respeito do alto número de ataques em Pernambuco.

É possível sobreviver ao ataque de tubarão?

Sim, é possível sobreviver ao ataque de tubarão. Por exemplo, dos 65 incidentes ocorridos no litoral pernambucano desde 1992, foram registradas 25 mortes. Isso significa dizer que mais da maioria das vítimas sobreviveu após um encontro violento com os predadores marinhos.

É possível sobreviver ao ataque de tubarão, por isso é indicado não agir passivamente

Atingir as narinas do tubarão é uma forma de reduzir seu ataque (Foto: depositphotos)

De acordo com dados do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões (ISAF, sigla em inglês), é mais fácil morrer por ataque de cães do que de tubarões. Levando em consideração o período entre 2001 e 2013, nos Estados Unidos, 11 pessoas morreram em decorrência de ataques dos predadores marinhos, enquanto que 364 foram mortas por cães.

Para os especialistas, a explicação para esses números está nos tipos de ataques dos tubarões. Segundo a ISAF, existem três tipos de ataques principais, são eles: Bate e corre, colisão e mordida, e o tipo esgueirar-se. Contudo, o primeiro deles justifica a maioria dos incidentes.

“Estes normalmente ocorrem na zona de surf sendo os nadadores e surfistas os alvos normais. A vítima raramente vê seu atacante e o tubarão não retorna depois de infligir uma única mordida ou ferida”, explica o órgão com relação ao ataque bate e corre.

Por ser apenas uma mordida em algum dos membros, as pessoas tendem a sobreviver aos ataques. Esse afastamento dos tubarões se dá por perceberem que os alvos (no caso os humanos) não fazem parte dos seus itens alimentares tradicionais.

Veja tambémTubarão: Por que eles atacam pessoas em Recife (PE)?

Tipos de ataques

Como já mencionado anteriormente, existem três principais tipos de ataques de tubarão. O primeiro deles é o bate e corre, sendo esse o mais comum. Quando isso acontece, esse peixão não consegue distinguir o ser humano dos outros animais que servem como alimento para ele. Por isso, ao morder, o tubarão reconhece o humano como um objeto estranho e logo libera a vítima.

Além desse, há o tipo colisão e mordida. É menos comum de ocorrer, porém é mais violento e fatal. Geralmente, ocorre com mergulhadores ou nadadores em águas mais profundas. Por fim, o tipo esgueirar-se. Esse último é semelhante ao colisão e mordida, e é comum envolvendo situações como acidentes de avião e de navio.

Como sobreviver ao ataque de tubarão

Agora que você sabe que é possível sobreviver a um ataque de tubarão, está na hora de aprender como escapar dessa situação. Para a ISAF, banhistas e sufistas precisam tomar atitudes ágeis diante de um ataque.

“Se você for atacado por um tubarão, é aconselhável uma resposta proativa. Acertar um tubarão no nariz, de preferência com um objeto inanimado, geralmente faz com que o tubarão reduza temporariamente seu ataque”, explica o órgão.

Uma das principais causas do ataque são as interferências humanas no habitat desse animal

Os tubarões podem ser violentos e muito oportunistas, atacando banhistas (Foto: depositphotos)

Após acertar o animal, é recomendado que você tente sair da água. Porém, se isso não for possível, continue tentando atingir as narinas do tubarão. Além disso, você pode arranhar os olhos e as aberturas branquiais, pois são regiões sensíveis desse peixe.

“Você não deve agir passivamente se estiver sob ataque, pois os tubarões respeitam o tamanho e a potência”, finaliza o ISAF.

Como evitar um ataque de tubarão?

  • Entre no mar em grupo: Geralmente, os tubarões preferem atacar um indivíduo solitário
  • Mantenha-se próximo da costa: Quanto mais longe você estiver, mais próximo do perigo estará. Além disso, pode dificultar a chegada de ajuda
  • Evite entrar na água em algumas situações: De acordo com o ISAF, durante a noite ou em períodos de crepúsculo, os tubarões são mais ativos
  • Não entre na água sangrando: Está com alguma ferida ou menstruada, não entre na água. Isso porque os tubarões possuem uma habilidade olfativa aguda
  • Evite alguns acessórios: Roupas muito coloridas ou joias brilhantes não são indicadas para entrar no mar, pois esses peixes veem o contraste com muita facilidade
  • Respeite as regras: Se na praia existe recomendações para não entrar no mar, respeite-as. Além disso, jamais tente chegar perto de um tubarão se ver algum.

Tubarões: por que eles atacam?

Entre as possíveis causas que explicam os ataques de tubarão estão: o aumento no número de banhistas e praticantes de esportes aquáticos, o desenvolvimento industrial e as mudanças climáticas. Além desses fatores, é possível adicionar ainda o alto nível de poluição no mar.

No caso do Brasil, por exemplo, a explicação está relacionada principalmente com a construção do porto de SUAPE. Quando foi construída, a unidade aterrou uma área de mangue. Porém, esse mesmo local servia como berço para as fêmeas do tubarão cabeça-chata.

Com a falta desse local para abrigar os filhotes, esses animais passaram a ocupar o estuário do Rio Jaboatão, que fica próximo à região onde ficavam os banhistas do Recife.

Veja também:

Além disso, a grande poluição do mar fez com que várias espécies de animais marinhos morressem. Consequentemente, houve uma redução do “cardápio” dos tubarões que começaram a se aproximar das praias em busca de alimentos.

Por fim, o aumento de banhistas e atletas no mar resultou no crescimento dos ataques de tubarão. Isso porque, alguns tubarões são considerados oportunistas e aproveitam da fragilidade das pessoas no mar para atacarem.

Ao ver uma pessoa se afogando, o tubarão pode atacar pois não vai ter um gasto de energia para conseguir essa presa. Já quando vê um surfista sentado na prancha e com as pernas penduradas, pode achar que aquilo é uma tartaruga e, consequentemente, atacar.

Ataques de tubarão no Brasil

De acordo com o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, o Brasil ocupa o 9º lugar entre os países que mais sofrem com essas situações. Foram 104 ataques registrados desde 1580 até o presente momento. Enquanto que em todo o mundo, foram contabilizados 3.031 casos.

Desse total brasileiro, 65 casos ocorreram no litoral de Pernambuco e a maioria deles registrados em Recife, na praia de Boa Viagem. Por isso, essa região não deve ser usada para banhos e a prática esportiva.

Além de Recife, outras cidades pernambucanas apresentam casos de ataques. Por exemplo: Jaboatão dos Guararapes (Piedade), Cabo, Olinda, Paulista, Goiana e Fernando de Noronha.

Para o ISAF, quase todos os tubarões grandes, com aproximadamente 2 metros, são perigosos para os homens. Contudo, três espécies estão sendo relacionadas aos ataques com mais frequência, o tubarão branco, tubarão tigre e o tubarão cabeça-chata.

Veja também: Tubarão-branco: conheça um pouco mais sobre esse animal

Entre as espécies de tubarão que existem, duas são mais comuns no Brasil. Tanto o tubarão tigre como também o tubarão cabeça-chata. Sendo este último o mais comum em ataques no Brasil.

Tubarão cabeça-chata

O tubarão cabeça-chata foi uma das espécies mais atingidas com as construções industriais

O tubarão cabeça-chata é o mais comum em ataques no Brasil (Foto: depositphotos)

Chamado cientificamente de Carcharhinus leucas, o tubarão cabeça-chata é o principal causador de ataques no Brasil. É considerado pelos especialistas como um animal extremamente violento e oportunista.

Além disso, foi uma das espécies mais afetadas pela construção do Porto de Suape em Recife. Uma vez que sofreu com a perda do mangue, lugar que servia como “berço” para seus filhotes. Pode ser chamado também de tubarão-touro.

Tubarão tigre

O tubarão tigre é agressivo e pode chegar a 4 metros de comprimento

O tubarão tigre também é conhecido com tubarão-leopardo (Foto: depositphotos)

O tubarão tigre também é considerado violento e oportunista. Tem como nome científico Galeocerdo cuvier e pode ser chamado de tubarão-leopardo. Em contato com ser humanos, pode ser curioso e agressivo.

Já quando o assunto é tamanho, esse peixão surpreende. Pode ter mais de 4 metros e chega a pesar aproximadamente 700 quilos.

Tubarão características

Ainda de acordo com o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, esses animais são mais velhos que os dinossauros. Pois registros fósseis desses animais indicam que os seus ancestrais surgiram há mais de 400 milhões de anos. Atualmente, existem aproximadamente 400 espécies de tubarão. No entanto, a todo momento outros tipos desse peixe vão sendo descobertos.

Além disso, é possível afirmar que esses animais possuem uma excelente visão e um ótimo faro. Outra característica é com relação a quantidade de dentes desse animal, são aproximadamente 800 dentes afiados. Alguns ficam na linha de frente, mas se caírem são logo substituídos pelos de trás.

Por fim, vale ressaltar que esses animais são peixes e não mamíferos. Até mesmo o tubarão baleia, que pelo nome pode ser confundido como mamífero, mas não é. Sendo este o maior tubarão do mundo.

Portanto, agora você já sabe que mesmo levando uma mordida de tubarão é possível sobreviver ao seu ataque. Também sabe como escapar dos incidentes com o predador marinho. E, ainda conhece as características desses animais e dos que mais atacam no Brasil, principalmente em Recife. Com todas essas informações, você pode proteger sua vida e pode curtir com tranquilidade a praia.

Veja mais!