Publicado por Prof. Luana Polon

Os agrotóxicos estão presentes em nossa vida, e isso hoje é inegável, seja nos alimentos que consumimos, na água que bebemos, e mesmo no ar que respiramos.

Existem muitas discussões sobre as consequências dos agrotóxicos em nossa saúde. Neste artigo do Estudo Kids você vai aprender mais sobre o que são os agrotóxicos, como eles estão presentes no Brasil, se são liberados ou não, bem como a forma pela qual eles afetam nossa saúde e qualidade de vida.

Confira mais sobre este importante assunto, e sabia como ele afeta a sua vida!

O que são agrotóxicos?

Como agrotóxicos entendem-se os produtos e agentes, sejam eles físicos, químicos ou biológicos, utilizados nos diversos setores da produção para alteração da flora e da fauna, visando preservá-los da ação danosa de seres vivos que são considerados como nocivos para estas espécies.

Homem aplicando agrotóxico

Os agrotóxicos podem ser encontrados nos alimentos, na água e no ar (Foto: depositphotos)

Estes produtos são utilizados na etapa da produção, bem como no armazenamento e no beneficiamento de produtos agrícolas, também nas pastagens, na proteção de florestas e ecossistemas, bem como em ambientes urbanos, hídricos e industriais.

Ou seja, estão amplamente presentes nas mais variadas atividades humanas.

Qual a finalidade do uso dos agrotóxicos?

Os agrotóxicos estão sendo amplamente utilizados no mundo todo em especial após a Segunda Guerra Mundial, ou mais especificamente durante o período que ficou conhecido como “Revolução Verde”, quando houve mudanças na agricultura mundial, visando um expressivo aumento da produtividade.

Realmente, a produção aumentou, mas para isso, muitos recursos foram implantados na produção, como é o caso dos agrotóxicos.

A finalidade mais específica dos agrotóxicos é aumentar a produtividade, afastando seres vivos que possam comprometer esse processo.

No caso da agricultura, estes produtos são usados para conter insetos, doenças ou plantas daninhas que possam afetar a qualidade ou quantidade do material produzido.

O problema dos agrotóxicos se inicia quando as plantas vão ficando resistentes aos componentes utilizados, com isso, são necessários agrotóxicos cada vez mais fortes, os quais são potenciais causadores de doenças em animais e pessoas.

Quais são os tipos de agrotóxicos?

São alguns tipos de agrotóxicos bastante utilizados:

  • Fungicidas (fungos)
  • Herbicidas (plantas)
  • Inseticidas (insetos)
  • Acaricidas (ácaros)
  • Rodenticidas (roedores).

Quais são as principais doenças causadas pelo uso de agrotóxicos?

Segundo informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as principais formas de contaminação com agrotóxicos estão listadas a seguir, juntamente com suas formas de manifestação!

Contaminação por contato com a pele (via dérmica)

  • Irritação: pele vermelha, quente e dolorosa, inchaço e, às vezes, ardência e
    brotoejas
  • Desidratação: pele seca, escamosa, às vezes, infeccionada, com dor e pus, e evoluindo para cicatrizes deformadas, esbranquiçadas ou escuras
  • Alergia: brotoejas com coceiras.

Na contaminação através da respiração (via inalatória)

  • Ardência do nariz e da boca
  • Tosse
  • Corrimento de nariz
  • Dor no peito
  • Dificuldade de respirar.

Na contaminação pela boca (via oral)

  • Irritação da boca e garganta
  • Dor de estômago
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Diarreia.

Outros efeitos

Outros efeitos gerais podem aparecer para pessoas que estão expostas durante mais tempo com estes produtos:

  • Dor de cabeça
  • Transpiração anormal
  • Fraqueza
  • Câimbras
  • Tremores
  • Irritabilidade
  • Dificuldade para dormir
  • Dificuldade de aprender
  • Esquecimento
  • Aborto
  • Impotência
  • Depressão.

Ou seja, são muitas as consequências negativas da exposição aos agrotóxicos. Além destes sintomas, existem estudos que associam os agrotóxicos aos casos de problemas respiratórios graves, alteração do funcionamento de órgãos como fígado e rins, anormalidades no sistema de produção de hormônios da tireoide, dos ovários e também da próstata.

Ainda, incapacidade de gerar filhos (infertilidade masculina e feminina), malformações e problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças, e ainda alguns tipos de câncer.

Todos estes dados aparecem na “Cartilha sobre Agrotóxicos” produzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Lei dos agrotóxicos no Brasil

Existem legislações específicas em todo o mundo apontando quais agrotóxicos são liberados e quais não podem ser utilizados. O problema é que isso não é uma regra geral, então alguns países barram um determinado tipo de agrotóxico, mas outros países o liberam para uso.

Uma das importantes leis brasileiras neste sentido é a Lei Nº 7.802, de 11 de julho de 1989. Essa lei trata sobre a “pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências”.

Em muitos momentos tentou-se flexibilizar essa legislação, visando implantar novos tipos de agrotóxicos no país. No entanto, por questões diversas, especialmente saúde pública, essas tentativas foram barradas.

Desde o ano de 2018 as tentativas de liberar novos agrotóxicos no Brasil foram se acentuando, sendo que desde o começo do ano de 2019 foram aprovados dezenas de novos produtos com agrotóxicos para entrada no mercado brasileiro.

Muitos destes produtos são barrados em vários países do mundo, especialmente porque causam danos ao meio ambiente e à saúde humana.

Como tirar agrotóxicos dos alimentos?

O mercado de produtos orgânicos e agroecológicos no Brasil ainda encontra limitações, por isso, muitas pessoas criam alternativas para tentar reduzir a quantidade de agrotóxicos nos alimentos que são consumidos.

Vale lembrar que estas medidas caseiras não anulam a presença de agrotóxicos em nossas vidas, porque estes estão também na água e no ar. Ainda assim, em casa pode-se tentar algumas opções, como:

  • Lavar muito bem as frutas, verduras e legumes, com água fria e corrente
  • Eliminar as cascas dos alimentos sempre que possível. Embora as cascas sejam bastante nutritivas, elas concentram agrotóxicos
  • Uso de bicarbonato de sódio misturado com água na lavagem dos alimentos, podendo deixa-los de “molho” nesta mistura por algum tempo. O mesmo pode ser feito com uma mistura de água com vinagre
  • Uso do iodo (de farmácia) na higienização. A receita mais comum é usar 5 ml de iodo a 2% para cada 1 litro d’água filtrada, deixando as frutas e legumes pelo menos meia hora nesta solução.

A melhor escolha, entretanto, sempre será o consumo de produtos orgânicos, agroecológicos, de produtores locais e responsáveis ambientalmente.

Por isso, sempre que puder, compre de um produtor local, opte por alimentos mais naturais e sem uso de agrotóxicos.

*Luana Polon é Mestre em Geografia e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e em Educação Profissional e Tecnológica (São Braz).

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Agrotóxicos“. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-agricolas/agrotoxicos. Acesso em 29 abr. 2019.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. “Cartilha sobre Agrotóxicos – Série Trilhas do Campo“. 2011. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/111215/451956/Cartilha+sobre+Agrot%C3%B3xicos+S%C3%A9rie+Trilhas+do+Campo/6304f09d-871f-467b-9c4a-73040c716676. Acesso em 29 abr. 2019.

BRASIL. Presidência da Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. “LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989“. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7802.htm. Acesso em 29 abr. 2019.

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