Publicado por Tailane Paulino

Rachel de Queiroz foi um dos mais importantes nomes da história da literatura nacional. Ela começou a carreira como professora de história com apenas 15 anos de idade, logo após se formar no magistério, e trabalhou em diversas áreas ao longo da vida.

Sendo tradutora de diversas obras, romancista, escritora, jornalista, cronista e uma importante dramaturga, Rachel ganhou ainda mais notoriedade ao se tornar a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, se tornando a quinta ocupante da cadeira 5 da prestigiada academia.

Ao longo de toda a sua vida ela escreveu mais de 20 romances, diversas crônicas, peças de teatro e até um roteiro para a TV. Nesse artigo você irá descobrir tudo sobre a vida e a morte de uma das mais importantes escritoras brasileiras.

Quem foi Rachel de Queiroz?

Rachel de Queiroz foi uma escritora, romancista, jornalista, cronista, tradutora, professora e dramaturga. Ela nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza no Ceará. Os pais dela, Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz, foram forçados a se mudar para o Rio de Janeiro, em 1917, por conta da crise causada pela seca.

Começou a carreira ainda aos 15 anos como professora de história, quando se graduou no Colégio Imaculada Conceição, em 1925. Nessa época ela já havia voltado a morar em Fortaleza.

Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza, no Ceará (Foto: Reprodução | EBC)

Dois anos depois ela deu início a sua carreira como jornalista no jornal O Ceará. A princípio, se tornou uma redatora fixa, escrevendo sob o pseudônimo de Rita de Queirós. Em 1930 ela publicou o seu primeiro romance, O quinze, que trouxe notoriedade nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo.

Com cerca de 1000 mil cópias do livro impresso, Rachel ganhou o primeiro prêmio da sua carreira. Recebendo a premiação da Fundação Graça Aranha, após ótimas críticas. Ganhando assim, mais notoriedade no meio literário da época.

A escritora se mudou para o Rio de Janeiro em 1939, após ter outros romances de sucesso publicados e logo após passar pelo divórcio do primeiro marido.

Lá, ela começou a contribuir para os jornais Diário de Notícias, O Cruzeiro e O Jornal. Nesta mesma época ela chegou a ser presa ao ser acusada de fornecer apoio a uma facção marxista.

Em 1977, Rachel de Queiroz fez história ao se tornar a primeira mulher a ingressar na academia brasileira de letras. 

Como começou a escrever?

Rachel de Queiroz começou a escrever ainda jovem, por causa do seu gosto pela leitura nacional. Em virtude de esse ser o seu principal passa tempo enquanto morava com os pais em uma fazenda em Quixadá.

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Em 1929, a escritora passou por problemas respiratórios e precisou passar um tempo em casa de repouso. Nesse momento ela iniciou a escrita do seu romance de estreia, O Quinze. Logo após a publicação deste, em 1930, ela foi agraciada com o primeiro prêmio da sua carreira.

Após isso, Rachel dedicou a sua vida a escrever romances, crônicas e a fazer colaboração em diversos jornais. Incluindo O Estado de São Paulo e Diário de Pernambuco.

Qual foi o primeiro romance publicado da autora?

O primeiro romance escrito por Rachel de Queiroz, foi o aclamado O Quinze. Este livro logo recebeu críticas positivas.

O Quinze retrata a história da grande seca que atingiu a região Nordeste em 1915 e a realidade dos retirantes, que tentaram buscar uma melhor qualidade de vida em outros estados. Esse livro é tido como uma das principais obras do movimento neorrealista brasileiro, que marcou o início do século 20. 

Sendo este um movimento artístico alinhado com as ideias do filósofo alemão Karl Marx. Desse modo, o livro O Quinze mostra críticas contra as desigualdades que os retirantes foram forçados a enfrentar durante a época.

Em outras palavras, O Quinze se tornou uma obra política, já que criticava os horrores que aconteceram durante a época da grande seca. Só para exemplificar, em Fortaleza foram criados campos de concentração que serviam para abrigar as pessoas que fugiam da fome no interior do estado.

De acordo com documentos da época, cerca de 150 pessoas morriam por dia por causa da falta de estrutura desses locais. Por causa disso, a obra se tornou um marco para os acontecimentos que ainda estavam recentes na época.

Nesse romance, a escritora trabalha com diversos contextos históricos da época, como a criação dos campos de concentração para os refugiados da seca e o forte regionalismo.

Vida pessoal de Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz foi a mais velha dos cinco irmãos e ajudou a criar a irmã mais nova, Maria Luiza de Queiroz Salek. A quem considerava como sua filha, por causa da diferença de 17 anos de idade entre as duas.

Inclusive, tendo morado próximo a ela durante os seus últimos anos de vida. Tendo se casado duas vezes, ela teve apenas uma filha, que morreu ainda criança.

Logo depois da publicação do seu primeiro livro Rachel se filiou ao Partido Comunista de Fortaleza. No entanto, rompeu com eles em 1932 após o seu segundo livro, João Miguel, ter sido censurado pelo comitê do Partido.

Em 1937, ela chegou a ser presa sob a acusação de apoiar uma facção com ideais marxistas. No entanto, após a morte do filósofo, a romancista abandonou a militância política.

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Morte

Rachel de Queiroz morreu em 2003 aos 92 anos, na casa em que morava no Rio de Janeiro. Ela foi encontrada as seis horas da manhã deitada em uma rede. De acordo com a família, a causa da morte foi um infarto enquanto ela dormia.

Em 2000 a romancista sofreu uma isquemia, que é quando a oxigenação de uma parte do corpo é interrompida por problemas na circulação. No entanto, ela apresentava um bom quadro de saúde. Tendo escrito, até maio daquele mesmo ano, crônicas semanais para o jornal Estado de São Paulo.

Cônjuges

O primeiro marido da escritora foi o poeta José Auto da Cruz Oliveira. Com quem foi casada de 1932 a 1939. Durante o casamento ela teve apenas uma filha, que morreu ainda na infância com 18 meses de idade.

Após a separação do seu primeiro marido, Rachel se muda para o Rio de Janeiro, onde conhece o médico Oyama de Macedo. Em 1940, se casam e permanecem juntos até a morte de Oyama em 1982.

Filhos

A primeira e única filha de Rachel de Queiroz com o poeta José Auto da Cruz Oliveira, seu primeiro marido, nasceu em 1933. Ela foi batizada de Clotilde de Queiroz Oliveira, em homenagem a mãe da escritora.

No entanto a menina viveu apenas até os 18 meses de idade, morrendo por conta de septicemia, ou seja, uma infecção generalizada.

Prêmios recebidos durante a sua vida

Durante toda a sua vida Rachel de Queiroz recebeu inúmeros prêmios em decorrência do seu trabalho como romancista e cronista.

Sendo o primeiro deles o da Fundação Graça Aranha, logo depois da publicação do seu primeiro livro. Confira outros dos principais prêmios recebidos pela autora durante a sua carreira.

  • Prêmio Sociedade Felipe d’ Oliveira para As Três Marias, 1939.
  • Prêmio Saci, de O Estado de S. Paulo, para Lampião, 1954.
  • Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de obra, 1957.
  • Prêmio Teatro, do Instituto Nacional do Livro, e Prêmio Roberto Gomes, da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, para A beata Maria do Egito, 1959.
  • Prêmio Jabuti de Literatura Infantil, da Câmara Brasileira do Livro (São Paulo), para O menino mágico, 1969.
  • Prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em 1980.
  • Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1981.
  • Medalha Marechal Mascarenhas de Morais, em solenidade realizada no Clube Militar, em 1983.
  • Medalha Rio Branco, do Itamarati, 1985.
  • Medalha do Mérito Militar no grau de Grande Comendador, 1986.
  • Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais, 1989.
  • Prêmio Camões, o maior da Língua Portuguesa, 1993.
  • Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual do Ceará – UECE, 1993.
  • Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, de Sobral, em 1995.
  • Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal, 25 de Março de 1996.
  • Prêmio Moinho Santista de Literatura, 1996.
  • Título Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2000
  • Medalha Boticário Ferreira, da Câmara Municipal de Fortaleza, 2001.
  • Troféu Cidade de Camocim em 20 de Julho de 2001 – Academia Camocinense de Letras e Prefeitura Municipal de Camocim.

Obras da autora

Como escritora e romancista, Rachel de Queiroz conta com mais de 20 romances publicados durante a sua carreira.

Sendo que este número não leva em consideração as peças de teatro e mais de duas mil crônicas que ela publicou. Confira quais foram as principais obras da carreira da romancista brasileira.

  • O Quinze, em 1930
  • João Miguel, em 1932
  • Caminhos de Pedras, em 1937
  • As Três Marias, em 1939
  • Três romances, em 1948
  • O Galo de Ouro, em 1950
  • Lampião, em 1953
  • A Beata Maria do Egito, em 1958
  • Quatro Romances, publicado em 1960
  • O Menino Mágico, de 1969
  • Seleta, obra publicada em 1973
  • Dora Doralina, de lançamento de 1975
  • Memorial de Maria Moura, de 1992
  • Andira, lançado em 1992
  • As Terras Ásperas, de 1993
  • Teatro, publicado em 1995
  • Falso Mar, Falso Mundo, de 2002.

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Frases famosas de Rachel de Queiroz

Confira algumas frases famosas ditas pela escritora Rachel de Queiroz durante a sua vida profissional e pessoal.

Gosto de palavras na cara. De frases que doem. De verdade ditas (benditas!). Sou prática em determinadas questões: ou você quer ou não.”

“A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado.”

“Falam que o tempo apaga tudo. Tempo não apaga, tempo adormece.”

“Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer.”

“Outra lição que se pode tirar destas considerações é que a vida sem sonhos é muitíssimo mais fácil. Sonhar custa caro. E não digo só em moeda corrente do País, mas daquilo que forma a própria substância dos sonhos.”

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