Publicado por Katharyne Bezerra

É importante saber qual a diferença entre língua e linguagem quando o assunto é comunicação. Além disso, vale a pena entender o que diferencia esses conceitos do termo fala, uma outra expressão de sentido único. Isso porque, de uma forma geral, dá a entender que todas essas expressões indicam uma mesma ideia.

Contudo, apesar de língua e linguagem estarem relacionadas ao campo da comunicação, elas são conceitos que possuem diferenças entre si.

E saber o que cada uma delas representa é uma forma de compreender o universo da comunicação. Consequentemente, é uma maneira de entender as relações humanas e as suas formas de transmissões de mensagens.

Também vale ressaltar que todos esses termos possuem subdivisões. Por exemplo, enquanto a língua pode estar dividida entre oral e escrita; a linguagem está segmentada em verbal e não-verbal (sinais).

Além disso, é possível incluir ainda a questão da fala, que é encontrada em níveis, como formal, coloquial, técnico etc.

Quais as diferenças entre língua e linguagem?

Apesar dos dois termos estarem relacionados a habilidade dos seres humanos de se comunicarem, linguagem e língua possuem diferenças entre si.

Enquanto a primeira expressão refere-se a capacidade natural das pessoas de enviarem mensagens umas para as outras, a segunda palavra está mais para um conjunto de códigos utilizados por determinadas sociedades para efetivar a comunicação.

A língua são códigos utilizados por determinadas sociedades para efetivar a comunicação

A linguagem é a capacidade natural das pessoas de enviarem mensagens umas para as outras (Foto: depositphotos)

Em outras palavras, linguagem pode ser definida como dança, música, palavras, gestos, sons, cores etc. De acordo com o autor do livro “Contextualizando a Gramática”, Newton Avelar Coimbra, linguagem é o meio utilizado para expressar ideias, sentimentos e desejos.

“Ela pode ser expressa através do uso de palavras (linguagem verbal) ou através de sinais, imagens, expressão corporal, mímica (linguagem não-verbal)“, explica Newton. De uma maneira geral, as pessoas costumam fazer mais uso da verbal do que da não-verbal.

Já sobre a língua, o escritor explica que trata-se de um sistema de signos. Ela pode ser aplicada tanto na escrita, como também de forma oral. “É um conjunto de símbolos armazenados na nossa memória, pronto para ser atualizado, traduzido no processo da fala. Os elementos da língua estão igualmente depositados na nossa memória como impressões, modelos e disposições”, esclarece.

Em resumo, língua pode ser traduzida como o idioma de um país. Por exemplo, no Brasil fala-se a língua portuguesa. Assim como em Portugal, Moçambique, Angola e outras nações. Já nos Estados Unidos, a língua é a inglesa. México a língua espanhola e assim por diante.

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Diferença entre língua, linguagem e fala

Diante do que já foi visto anteriormente, é possível entender que língua e linguagem não são a mesma coisa. Mas e a fala, o que ela significa? Esse é outro termo que também está relacionado ao processo de comunicação das sociedades humanas mas, assim como os demais, ele tem significado próprio.

Para Newton Avelar Coimbra, a fala incorpora diversas manifestações individuais. Por isso ela é considerada ampla e elástica. Ainda segundo o autor, a língua utilizada por determinados grupos sociais, ao receber influências da cultura desse povo em específico, acaba se tornando uma fala.

Em outras palavras, a fala é uma transformação da língua. Esta última, ao se adaptar ao estilo de vida e as características culturais de uma sociedade, acaba se traduzindo como fala.

“A fala é o uso que uma pessoa faz da língua numa situação específica, pois é um ato individual. A língua é propriedade da sociedade em geral: ela só pode ser instrumento de comunicação se for a mesma para todos os que a falam. A língua é, pois, um ato social; e a fala, um ato individual”, finaliza Newton no livro “Contextualizando a Gramática”.

Linguagem verbal e não-verbal

Contudo, dentro da linguagem, língua e fala, há subdivisões que precisam de uma atenção especial. Nesse tópico em específico, o recurso da comunicação estudado é a linguagem. Esta pode estar dividida em duas grandes e conhecidas categorias: linguagem verbal e linguagem não-verbal.

No primeiro caso, tem-se uma linguagem formada por palavras. Por esta razão é chamada de linguagem verbal, pois pode ser emitida através de termos. E pode ser escrita ou oral. Uma conversa, por exemplo é uma forma de linguagem verbal. 

Mas quando se trata de linguagem não-verbal é uma forma de comunicação que não faz uso de palavras. Há a comunicação de fato, mas através de símbolos, imagens, cores etc. Por exemplo, o sinal de trânsito é uma linguagem não-verbal.

Exemplos de linguagem não-verbal

De acordo com a professora da Faculdade Bilac, Elisabete Yamazi, existem alguns exemplos bem conhecidos da linguagem não-verbal, são eles:

  • Cartão vermelho: Tática utilizada no jogo de futebol para indicar uma falta muito grave e a expulsão do jogador que cometeu esse problema
  • Bonequinhos na porta do banheiro: É comum encontrar um boneco na porta do banheiro masculino, sinalizando que ele é para homem. Da mesma forma acontece no banheiro feminino, onde é possível ver o símbolo de uma menina
  • Placas de trânsito: Esses símbolos podem significar muitas coisas dependendo dos desenhos encontrados nas placas. Por exemplo, uma bicicleta cortada por uma faixa vermelha indica que é proibido andar de bicicleta naquela localidade. Outro exemplo são as imagens de um boneco caminhando, o que indica que naquele ponto há fluxo de pessoas e elas devem ser respeitas pelos motoristas
  • Placas informativas: Em bares e lugares fechados, é comum se deparar com a imagem de um cigarro cortado ao meio. Essa imagem simboliza que naquele ambiente é proibido fumar. Já em um hospital, bibliotecas ou áreas que precisam de silêncio, é possível encontrar uma placa onde uma pessoa coloca o dedo indicador próximo a boca fechada

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Língua oral ou língua escrita

A língua ganha subdivisões a respeito do modo como ela é expressa: falada ou escrita. Esta divisão ocorre devido as características de cada uma, as quais conseguem promover uma diferenciação entre a língua oral e escrita.

Ainda levando em consideração o escritor Newton Avelar Coimbra, é possível dizer que a língua oral é mais flexível. Dependendo do tipo e do lugar da comunicação, não há necessidade de obedecer as regras gramaticais. Assim, a língua falada é espontânea e o contato é direto entre os comunicadores.

Outra característica importante da língua falada é com relação a riqueza visual que ela permite durante uma comunicação. Quando duas pessoas estão falando existe mais do que palavras ditas, há também expressões faciais, posturas e gestos. Sendo que tudo isso contribui para o entendimento entre duas ou mais pessoas em um diálogo.

Enquanto isso, a língua escrita pede uma comunicação mais preocupada com a gramática. O contato entre quem escreve e quem lê se dá de forma indireta. Na maioria dos casos, o vocabulário é mais sofisticado.

Além dessas duas divisões, há uma terceira opção: a língua gestual. Isso porque, existe a Língua Brasileira de Sinais. Chamada popularmente de Libras, essa é uma forma de comunicação desenvolvida para facilitar o entendimento de pessoas surdas e mudas.

Os níveis da fala

Assim como a língua e a linguagem, a fala também pode ser dividida. Desta vez, a classificação se dá através de níveis que dependem das características de quem fala. Por exemplo, vivências, questões culturais, conhecimentos entre outros.

As pessoas estão em processo de comunicação entre 10 e 12 horas do dia

A língua escrita pede uma comunicação mais preocupada com a gramática (Foto: depositphotos)

Nesse sentido, a fala pode estar dividida em: Nível formal ou culto; Nível informal, coloquial ou popular; Nível regional; Nível vulgar; Nível técnico ou profissional; Nível literário ou artístico. Com isso, é possível dizer que a fala é maleável e por isso consegue ser moldada as mais diversas realidades.

O nível formal ou culto é aquele que estabelece e respeita as regras gramaticais, utilizado principalmente em conversas de trabalho ou em apresentações escolares. O informal, coloquial e popular é uma fala mais despojada, entre dois amigos por exemplo.

Já o nível regional tem muito de expressões criadas de acordo com as vivências de cada área. No Brasil por exemplo, há uma variedade de termos que podem entrar nesse tipo, como: “Oxente” para os nordestinos e o “Bah” para os gaúchos.

Ao contrário do que se possa imaginar, a nível vulgar não se diz respeito a palavras de baixo calão. Essa divisão abriga as expressões ditas de maneira incorreta gramaticalmente. Por exemplo, “nós vai”, “a gente vamos”, “pra mim comer”.

Por fim as falas técnico ou profissional e a de nível literário ou artístico. No primeiro caso é comum encontrá-las entre pessoas de uma mesma área, pois elas falam sobre termos técnicos daquele assunto. Assim como no literário ou artístico, onde as pessoas se expressão de uma maneira que todo mundo envolvido possa compreender.

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Língua, linguagem e comunicação

Todas as expressões vistas até agora são necessárias para formar a comunicação entre as pessoas. Tanto a língua, linguagem e também a fala são importantes no processo de transmissão de mensagens entres os indivíduos.

De acordo com Newton Avelar Coimbra, pesquisas revelam que os seres humanos gastam 70% do seu tempo diário para se comunicarem. Ou seja, entre 10 e 12 horas do dia, as pessoas estão em processos de comunicação umas com as outras.

Desta maneira, a língua e linguagem são imprescindíveis na comunicação. E sem esse processo comunicativo, as pessoas não teriam condições de conseguir tudo o que já têm posse.

Isso porque, todas as conquistas do mundo atual com relação a cultura, tecnologia e territorial só foram possíveis com o desenvolvimento da língua, linguagem, fala e, consequentemente, o da comunicação.

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