Publicado por Katharyne Bezerra

Nas aulas de português é comum que você aprenda a fazer um bom texto. Isso porque, os vestibulares exigem que o candidato saiba como fazer uma boa redação. Independentemente do tipo de texto exigido como o dissertativo argumentativo, a redação tem um peso importante na nota final do aluno.

Por exemplo, no Exame Nacional de Ensino Médio, o famoso Enem, a redação tem uma nota que varia de zero a 1000 pontos. Portanto, o candidato que mais atender as necessidades da banca avaliadora, terá a maior nota possível.

Então, se você é um aluno que quer ter um bom desempenho no Enem, aprenda a fazer um bom texto lendo esse artigo. Aqui você encontra um passo a passo para se dar bem nas redações.

Além disso, a especialista em Língua Portuguesa Vânia Carvalho explica o que é um texto dissertativo argumentativo. Também é possível conferir alguns exemplos de redação e ainda fica por dentro de dicas extras para ser um aluno nota 1000.

Como fazer um bom texto?

Menino escrevendo no caderno

Um bom texto precisa de conteúdo, por isso leia muito (Foto: depositphotos)

1. Ler bastante

O primeiro passo para escrever um bom texto começa antes de ver o tema. Parece confuso? Calma que vamos explicar bem direitinho. Isso significa dizer que é preciso ler bastante antes de prestar vestibular ou fazer uma redação na escola. Leia jornais, livros e artigos de opinião, para quando for fazer o texto ter conhecimento sobre vários assuntos.

Desta forma, você tem acesso à informações como dados e opinião de especialistas. E todo esse conteúdo pode servir de suporte para a sua argumentação no texto. A ideia é convencer o leitor do seu ponto de vista e isso não pode ser feito com base nos “achismos”. Portanto, mantenha-se atualizado sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo.

Por exemplo, se o tema da redação for “O desemprego no Brasil”, a banca vai querer que você fale sobre esse assunto apresentando conteúdos relevantes. Todo mundo sabe que existem brasileiros desempregados, mas poucos conhecem os dados sobre isso. Por isso, se você apresenta essas informações específicas sobre o tema, você se destaca entre os demais.

Além disso, quem ler muito aprende a escrever melhor. Isso porque, tem contato com várias formas e estilos de produzir um texto. Assim, apresenta uma bagagem repleta de boas referências textuais.

2. Compreender o tema

Agora que você já se abasteceu de conhecimentos sobre os fatos do Brasil e do mundo, é hora de encarar a produção de um texto ou redação. Antes de mais nada é importante compreender o tema. É preciso que você saiba quais os desdobramentos podem ser citados no texto sem perder o foco principal ou fugir do tema. Para assim agradar ao leitor.

Ainda levando em consideração o exemplo “O desemprego no Brasil”, você pode tomar vários caminhos. Um deles é explorar o número de desempregados no Brasil. Além disso, podem ser citadas as possíveis causas desse problema e quais poderiam ser os caminhos para resolver essa situação.

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3. Organizar as ideias

Com o tema definido, você organiza as ideias centrais e secundárias. Uma dica é fazer um esquema em espaço a parte da redação. Faça um círculo com o tema proposto dentro, ao redor dele interligue as ideias que farão parte do texto.

De um lado, as informações primordiais, como dados e pontos de vistas de especialistas. Do outro, informações secundárias, que vão complementar as ideias centrais da sua redação. Assim você organiza tudo que vai compor o texto e deixa mais fácil a compreensão na hora de produzir.

4. Fazer um rascunho

Essa próxima dica de como fazer um bom texto está relacionada diretamente a produção dele. Nessa hora você vai colocar tudo o que já foi pesquisado e organizado anteriormente no formato da redação.

Lembrando sempre de fazer introdução, desenvolvimento e conclusão. Além disso, é importante estar atento à coesão e coerência do texto. Isso significa dizer que você não deve fugir do tema ou entrar em contradição na sua argumentação. Tomando como exemplo “O desemprego no Brasil”, você não pode afirmar no início que está em alta no país e depois, na conclusão, dizer o contrário.

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5. Revisar

Concluído o rascunho, é interessante revisá-lo. Esse é o momento ideal para corrigir possíveis erros de concordância, de pontuação e de coerência. Uma boa dica é optar pelo mais simples, sem palavras muito difíceis ou termos pouco conhecidos.

6. Passar a limpo

Por fim, você passa a limpo todo o conteúdo feito e previamente revisado. Assim, as chances de erros são menores e você vai ter um bom resultado final. Uma última dica é sempre lembrar de colocar o título. Em algumas provas ele não é cobrado, já em outras ele é um aspecto importante.

Fazer uma boa redação: passo a passo

Depois de saber como fazer um bom texto, que tal aprender como fazer uma boa redação dissertativa argumentativa? Para lhe ajudar nessa missão, consultamos a especialista em Língua Portuguesa,  Vânia Carvalho.

Menino escrevendo texto em caderno

Palavras estrangeiras, gírias e abreviações devem ser evitadas (Foto: depositphotos)

Com mais de 34 anos de experiência em sala de aula, a professora explica o que de fato é uma redação dissertativa argumentativa. Além disso, a especialista reforça a estrutura de um texto como esse. E também oferece dicas essenciais para você conseguir se dar bem na escola e nos vestibulares.

O que é uma redação dissertativa argumentativa?

Em primeiro lugar é preciso saber o que é uma redação. Para o dicionário, redação é um substantivo feminino com dois possíveis significados: “1. ação ou efeito de redigir, de escrever com ordem e método. 2. expressão dada ao pensamento; maneira de redigir.”

Com essa definição, a professora Vânia Carvalho explica o que é a redação dissertativa argumentativa. Para a especialista, “é aquela em que de maneira clara e coerente o autor do texto expõe conhecimentos acerca do tema em questão e, além disso, posiciona-se em relação a ele.”

Ainda segundo a educadora, esse tipo de texto requer uma estrutura com bom planejamento. “Temos a clássica forma para uma redação escolar: três parágrafos, sendo um de introdução, um (maior) de desenvolvimento e um final para a conclusão. Mas, podemos também fazer parágrafos, dividindo o parágrafo de desenvolvimento em três partes.”

Assim, tem-se a introdução que deve conter a definição do tema. Além disso, nessa primeira parte é importante lançar a ideia base do texto em construção. Já no desenvolvimento, você pode usar de recursos para embasar suas palavras.

No desenvolvimento usar argumentos, mostrar índices, apresentar dados, apresentar pontos de vista de especialistas e dados históricos, entre outras possibilidades”, indica Vânia Carvalho.
Por fim, você deve pensar na conclusão como uma parte que vai finalizar tudo o que foi dito no decorrer do texto. “[…] Tento o cuidado de não ser incoerente e apresentar possíveis caminhos e soluções para as questões lançadas acerca do tema”, lembra a professora.
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Exemplos de redação

Marcus Vinícius Monteiro Oliveira (Enem 2017, Ceará, Nota 1000) 

No Brasil, o início do processo de educação de surdos remonta ao Segundo Reinado. No entanto, esse ato não se configurou como inclusivo, já que se caracterizou pelo estabelecimento de um “apartheid” educacional, ou seja, uma escola exclusiva para tal público, segregando-o dos que seriam considerados “normais” pela população.

Assim, notam-se desafios ligados à formação educacional das pessoas com dificuldade auditiva, seja por estereotipação da sociedade civil, seja por passividade governamental. Portanto, haja vista que a educação é fundamental para o desenvolvimento econômico do referido público e, logo, da nação, ela deve ser efetivada aos surdos pelos agentes adequados, a partir da resolução dos entraves vinculados a ela.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à implementação desse direito, reconhecido por mecanismos legais, a discriminação enraizada em parte da sociedade, inclusive dos próprios responsáveis por essas pessoas com limitação. Isso por ser explicado segundo o sociólogo Talcott Parsons, o qual diz que a família é uma máquina que produz personalidades humanas, o que legitima a ideia de que o preconceito por parte de muitos pais dificulta o acesso à educação pelos surdos.

Tal estereótipo está associado a uma possível invalidez da pessoa com deficiência e é procrastinado, infelizmente, desde o Período Clássico grego, em que deficientes eram deixados para morrer por serem tratados como insignificantes, o que dificulta, ainda hoje, seu pleno desenvolvimento e sua autonomia.

Além do mais, ressalte-se que o Poder Público incrementou o acesso do público abordado ao sistema educacional brasileiro ao tornar a Libras uma língua secundária oficial e ao incluí-la, no mínimo, à grade curricular pública. Contudo, devido à falta de fiscalização e de políticas públicas ostensivas por parte de algumas gestões, isso não é bem efetivado.

Afinal, dados estatísticos mostram que o número de brasileiros com deficiência auditiva vem diminuindo tanto em escolas inclusivas – ou bilíngues -, como em exclusivas, a exemplo daquela criada no Segundo Reinado. Essa situação abjeta está relacionada à inexistência ou à incipiência de professores que dominem a Libras e à carência de aulas proficientes, inclusivas e proativas, o que deveria ser atenuado por meio de uma maior gerência do Estado nesse âmbito escolar.

Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca dessa limitação em palestras elucidativas por meio de exemplos em obras literárias, dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, em especial os pais de surdos, não seja complacente com a cultura de estereótipos e preconceitos difundidos socialmente.

Outrossim, o próprio público deficiente deve alertar a outra parte da população sobre seus direitos e suas possibilidades no Estado civil a partir da realização de dias de conscientização na urbe e da divulgação de textos proativos em páginas virtuais, como “Quebrando o Tabu”.

Por fim, ativistas políticos devem realizar mutirões no Ministério ou na Secretaria de Educação, pressionando os demiurgos indiferentes à problemática abordada, com o fito de incentivá-los a profissionalizarem adequadamente os professores – para que todos saibam, no mínimo, o básico de Libras – e a efetivarem o estudo da Língua Brasileira de Sinais, por meio da disponibilização de verbas e da criação de políticas públicas convenientes, contrariando a teórica inclusão da primeira escola de surdos brasileira.

Isadora Peter Furtado (Enem 2015, Rio Grande do Sul, Nota 1000)

A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira é um problema muito presente. Isso deve ser enfrentado, uma vez que, diariamente, mulheres são vítimas desta questão. Neste sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: o legado histórico-cultural e o desrespeito às leis.  Segundo a História, a mulher sempre foi vista como inferior e submissa ao homem. Comprova-se isso pelo fato de elas poderem exercer direitos, ingressarem no mercado de trabalho e escolherem suas próprias roupas muito tempo depois do gênero oposto.

Esse cenário, juntamente aos inúmeros casos de violência contra as mulheres corroboram a ideia de que elas são vítimas de um histórico-cultural. Nesse ínterim, a cultura machista prevaleceu ao longo dos anos a ponto de enraizar-se na sociedade contemporânea, mesmo que de forma implícita, à primeira vista.

Conforme previsto pela Constituição Brasileira, todos são iguais perante a lei, independente de cor, raça ou gênero, sendo a isonomia salarial, aquela que prevê mesmo salário para mesma função, também garantidas por lei. No entanto, o que se observa em diversas partes do país,  é a gritante diferença  entre os salários de homens e mulheres, principalmente se estas forem negras. Esse fato causa extrema decepção e constrangimento a elas, as quais sentem-se inseguras e sem ter a quem recorrer. Desse modo, medidas fazem-se necessárias para corrigir a problemática.

Diante dos argumentos supracitados, é dever do Estado proteger as mulheres da violência, tanto física quanto moral, criando campanhas de combate à violência, além de impor leis mais rígidas e punições mais severas para aqueles que não as cumprem. Some-se a isso investimentos em educação, valorizando e capacitando os professores, no intuito de formar cidadãos comprometidos em garantir o bem-estar da sociedade como um todo.

Dicas para fazer um bom texto

Além das dicas já mencionadas anteriormente, a especialista em Língua Portuguesa Vânia Carvalho oferece outras técnicas para deixar sua escrita ainda melhor. A primeira delas é a prática da leitura, que deve ser constante.

Mão segurando caneta e escrevendo

Uma boa redação precisa ser composta de citação (Foto: depositphotos)

Ler, ler, ler muito e quando cansar, ler novamente. Só escreve bem, quem ler muito”, destaca a professora. E de acordo com ela, a leitura deve ser feita de todo tipo, sem preconceitos. Além de ler, é necessário escrever bastante, pois só de aprende a escrever escrevendo. Nesse sentido, a especialista recomenda “treino e dedicação nos estudos”.

Manter-se atualizado, procurar conhecer da história recente do seu país e do mundo. Ser dinâmico e curioso. Ouvir música, assistir a bons filmes e seriados, conversar com amigos, com os pais, com os professores. Fazer parte de movimentos sociais, tudo isso amplia os horizontes, aumenta o saber, aguça a visão e ajudará a não faltar assunto, nem  palavras na hora de escrever”, finaliza a professora.
Veja também: Revisão de texto: O que é, como e quando fazer

O que evitar em uma redação?

Existem elementos que você precisa evitar em uma redação, tendo em vista que elas são impróprias ou desnecessárias. Por exemplo:

  • Repetição de palavras: Repetir um mesmo termo para tentar enfatizá-lo, pode deixar seu texto chato. Além disso, a repetição pode demonstrar que você não domina o assunto e está tentando “enrolar” o leitor
  • Abreviações: Esse recurso é dispensável, pois uma redação requer uma linguagem formal. Outro recurso semelhante são as siglas, que só devem ser utilizadas após a explicação delas, como “Exame Nacional de Ensino Médio, o Enem”
  • Palavras estrangeiras: As palavras de outra língua só devem ser utilizadas para citar situações históricas ou palavras que ainda não possuem uma tradução do nosso português
  • Gírias: Do mesmo jeito que as abreviações, as gírias são termos comuns no cotidiano ou em uma conversa informal. Já em uma redação, elas são desnecessárias e ainda empobrecem o seu texto
  • Frases com uma única palavra: É importante ser objetivo e escrever períodos curtos, mas frases com apenas uma única palavra não é indicado
  • Exclamações: O uso de exclamações também não é recomendado em um texto como a redação. No caso das pontuações, procure usar sempre ponto final. Interrogações e três pontos quando forem extremamente necessários.
  • Mesóclise: Um exemplo de mesóclise é “pôr-se-á”. Esse tipo de recurso é totalmente desnecessário, pois é rebuscado demais para o estilo da redação.
  • Terminações rimadas: Algumas palavras possuem sons semelhantes, o que pode provocar rimas no texto. Por isso, cuidado com elas.
  • Cacofonia: Para quem não sabe, cacofonia é o nome dado a situações onde duas ou mais palavras dão um som estranho a frase. Por exemplo, “Ela tinha uma bolsa” (soa como latinha).
  • Generalização: Fuja das generalizações, elas vão empobrecer o seu texto ou deixá-lo com uma informação irreal.
  • Frases incompletas: Pela falta de atenção, algumas pessoas deixam frases incompletas no texto. Com isso, o leitor não entende o que escritor quis passar com aquele período. Por isso, cuidado! Esse erro pode custar a entrada em uma universidade ou aquele ponto para passar na matéria.

Redação pronta

Agora que você já aprendeu a fazer um bom texto e também sabe como fazer uma boa redação dissertativa argumentativa, está na hora de colocar todas essas dicas em prática. Quanto mais você escreve, mais técnica você aprende e logo logo não vai mais precisar de um passo a passo. Assim, tanto as redações da escola como as do Enem vão ficar mais fáceis de serem feitas.

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